Capítulo 01

A escrita como lugar de escuta

Escrever é dar voz ao que o coração tenta esconder.

Escrever é se escutar

Vivemos cercados de estímulos, respostas, opiniões e urgências. A mente acumula assuntos. O corpo acompanha o ritmo. E muitas vezes aquilo que sentimos fica sem linguagem.

Quando você se senta diante de uma página em branco, alguma coisa muda: por alguns minutos, não é preciso responder a ninguém. Você pode observar. Pode nomear. Pode reconhecer. A escrita cria uma pequena distância entre aquilo que você sente e aquilo que você consegue enxergar.

Não é preciso transformar cada emoção em explicação. Às vezes, escrever “estou cansada” já é suficiente para perceber que o cansaço existe. Escrever “estou com medo” pode ser o início de uma pergunta mais honesta: medo de quê? Desde quando? O que esse medo está tentando proteger?

A página se torna um espaço de escuta porque não interrompe. Ela recebe. E, quando recebe, permite que aquilo que estava comprimido dentro de nós ganhe forma.

Verdade antes de beleza

A escrita deste livro não é uma escrita de desempenho. Você não está tentando produzir um texto bonito. Está tentando ser verdadeira.

O papel pode receber aquilo que você ainda não consegue dizer em voz alta: raiva, culpa, saudade, confusão, gratidão, medo, desejo, fé. Nem tudo precisa ser resolvido no mesmo dia. Algumas coisas precisam primeiro ser reconhecidas.

✦
Não escreva para impressionar. Escreva para se encontrar.

Prática

Abrindo o caderno

  1. 01Escolha um caderno que seja apenas seu.
  2. 02Reserve de 5 a 15 minutos, sem obrigação de preencher páginas.
  3. 03Comece com uma frase simples: “Hoje, por dentro, eu estou…”
  4. 04Continue sem revisar enquanto escreve.
  5. 05Ao terminar, feche o caderno e pergunte a si mesma: “O que eu consegui reconhecer hoje?”

Página 6 de 15