Desde 2013, quando decidi olhar com mais cuidado para aquilo que eu vivia, o papel e a caneta passaram a me acompanhar de um jeito diferente. Eu escrevia dores, medos, sintomas, pensamentos, perguntas e lágrimas. Não havia método. Havia necessidade.
O caderno virou um lugar onde eu podia ser verdadeira. Ali eu não precisava explicar, organizar ou parecer forte. Eu podia simplesmente colocar para fora o que existia dentro de mim. E, aos poucos, comecei a perceber que escrever não era apenas registrar o que eu sentia: era também me escutar.
Com o tempo, as páginas passaram a revelar coisas que eu não conseguia enxergar enquanto tudo permanecia apenas na mente. Padrões se repetiam. Algumas dores mudavam de nome. Certas perguntas perdiam força. Outras ganhavam profundidade. Ao reler meus cadernos anos depois, eu conseguia reconhecer mudanças que, durante o processo, pareciam invisíveis.
A fé também encontrou espaço ali. Muitas páginas se tornaram conversas com Deus. Às vezes eram orações. Às vezes eram apenas desabafos. Às vezes eu não sabia nem o que pedir. Mas escrever me ajudava a permanecer.
Este livro nasce desse caminho. Não para dizer que todas as pessoas viverão a mesma experiência, mas para compartilhar uma prática que me ajudou a transformar confusão em linguagem, silêncio em escuta e páginas soltas em memória de uma travessia.
Quando você escreve, você se ouve. E, quando se ouve com verdade, algo dentro de você pode começar a encontrar lugar.
